Blue Dragon tem tudo para ser um must para os fãs de role-play. Uma excelente experiência de jogo.
Da Mistwalker veio um RPG criado por um triunvirato de sonho: Hironobu Sakaguchi, criador de Final Fantasy, Nobuo Uematsu, compositor das músicas de grande parte dos FF, e Akira Toriyama, pai de Dragon Ball. Pelo que vimos no disco de preview, o jogo tem tudo e mais alguma coisa para ser um essencial das 360 europeias.
Diga-se que para nossa enorme tristeza, a versão distribuída para antevisão é composta pelo conteúdo do primeiro dos três DVDs que compõem o jogo, ou seja, tivemos que nos contentar com as primeiras vinte horas de aventura, deixando-nos com água na boca para que está para vir. É como sairmos com a mulher dos nossos sonhos e na altura em que o melhor está a chegar... adeus e até 24 Agosto. Enfim, não se pode ter tudo.
Lamentações à parte, comecemos por uma das melhores características da versão europeia: Blue Dragon faz-se acompanhar por diálogos em japonês, isto para além de podermos optar por línguas como o inglês, espanhol e francês. Assim, o espírito original do jogo não se perde. E diga-se que as vozes assentam como peixe na água no visual e espírito das personagens. Fantástico!
Quanto ao argumento, vamos acompanhar um adolescente chamado Shun, que decide investigar os estranhos acontecimentos que atormentam a sua aldeia, vítima de brutais ataques realizados por uma enorme “criatura”. E não são necessários muitos minutos de jogo para que o herói da fita, acompanhado por uma dupla de amigos, dê por si dentro de uma nave que flutua a muitos quilómetros do solo. É aí que a saga propriamente dita arranca.
Queremos com isto dizer que é nesse local que a “party” dá de caras com o mau da fita, recebendo logo depois umas “sombras” muito especiais, que terão papel dominante nos combates que se sucedem a ritmo vertiginoso.
A história é contada via cutscenes absolutamente deliciosas, vindo em quantidades dignas de registo. São muitos minutos de pura anime, de qualidade imaculada, e uma das muitas mais valias de Blue Dragon, durante as quais o ecrã é agraciado pelo estilo muito próprio de Toriyama. Irresistíveis.
No que toca à mecânica, estamos perante um RPG nipónico em todo o esplendor, muito fiel ao estilo clássico dos duelos por turnos. Como acontece no mais recente Final Fantasy, os confrontos não surgem de forma aleatória, ou seja, durante as andanças entre localidade vemos os inimigos no terreno, estando nas nossas mãos a possibilidade de os evitarmos. Claro que dessa forma não aumentaremos o nível das personagens, o que complicará terrivelmente os frente-a-frente com adversários de poder superior.
Uma das novidades introduzidas reside na possibilidade de se fazer com que os adversários nos persigam durante um determinado período de tempo. Assim, podemos colocar criaturas de várias raças dentro do nosso raio de acção, bastando clicar no trigger direito para ficarmos a conhecer o dito. É dessa forma que escolhemos se queremos entrar em duelo com todos os grupos em simultâneo, ou se preferimos enfrentar um de cada vez.
O “tudo ao molho” joga a nosso favor, isto porque algumas das raças presentes não devem muito à inteligência, portanto, como acontece na vida real, os predadores mas fortes alimentam-se dos mais fracos, oferecendo-nos espaço e tempo para aniquilarmos tudo e todos sem que os pontos que compõem o nível de vida sofram graves danos. É a cadeia alimentar em todo o seu esplendor.
A mecânica dos combates não serão nada estranhos a quem estiver habituado a jogos do género, pois como já referimos são absolutamente clássicas. Obviamente que as tais “sombras” têm total protagonismo, sendo responsáveis por desferirem os mais letais dos golpes – para além de serem visualmente deliciosas.
Divertido é o pseudo mini-jogo que surge no momento em que lançamos uma magia, fazendo lembrar o recarregamento da arma de Gears of War. Basicamente, temos de pressionar A para activarmos uma barra especial. Se largarmos o botão no local correcto, a magia enviada consumirá menos pontos. No caso de tirarmos o dedo no momento errado, então o feitiço demorará mais tempo a ser lançado, estragando assim a estratégia de combate... isto para não dizer que poderá ser a diferença entra a “vida” e a “morte”. É uma característica engraçada, que fornece um pouco mais de ritmo aos duelos.