Autor Tópico: Monitores  (Lida 1132 vezes)

Offline HilarYo

  • Member
  • *
  • Mensagens: 66
  • Sexo: Masculino
    • PortugalFlash
    • Email
Monitores
« em: Agosto 10, 2010, 09:39:42 »

Por absurdo que possa parecer, a maioria dos computadores das décadas de 60 e 70 não utilizavam monitores, mas sim impressoras de margarida (antecessoras das impressoras matriciais) como dispositivos de saída. Neles, você digitava os comandos no teclado e precisava esperar os resultados serem lentamente impressos em um rolo de papel. Estes terminais contendo o teclado e a impressora eram chamados de teletipos e, tipicamente, vários deles eram ligados a um único mainframe. Os monitores passaram a ser usados em larga escala apenas a partir do final da década de 70, mas, assim como outros dispositivos, tiveram uma evolução notável. Atualmente, temos em uso basicamente 4 tecnologias de monitores: CRT, LCD, Plasma e OLED.

Os monitores CRT utilizam um princípio bastante simples, fundamentalmente a mesma tecnologia usada nas TVs desde a década de 30. Um canhão de elétrons bombardeia as células de fósforo que recobrem a tela, fazendo com que elas se iluminem em diferentes intensidades (de acordo com a intensidade da descarga recebida), formando a imagem:


 O conector VGA transporta os sinais analógicos referentes às três cores primárias (azul, verde e vermelho), além dos sinais de sincronismo horizontal e vertical. Como o nome sugere, estes dois últimos são responsáveis pelo movimento do canhão de elétrons do monitor, que varre toda a tela continuamente, atualizando cada pixel com os sinais referentes às três cores.

Variando rapidamente as tensões fornecidas, a placa de vídeo consegue que cada um dos três pontos que compõe cada pixel brilhem numa intensidade diferente, formando a imagem. Para obter um pixel branco, são usadas as tensões máximas para as três cores, para obter um pixel amarelo são usados apenas o verde e o vermelho e assim por diante.

Aqui temos a imagem de um monitor CRT ampliada de forma a mostrar os pontos individuais:


As células de fósforo se apagam muito rapidamente, por isso a imagem precisa ser atualizada várias vezes por segundo, processo chamado de refresh. A taxa de atualização da imagem é uma configuração importante nos monitores CRT, pois uma baixa taxa de atualização resulta em um intervalo muito longo entre as atualizações, fazendo com que as células passem a piscar, perdendo a luminosidade durante o intervalo da atualização e sendo reacendidas na atualização seguinte. Este fenômeno é chamado de flicker e torna bastante desconfortável usar o monitor por longos períodos, podendo, a longo prazo, até mesmo causar danos à visão.

O problema do refresh

Devido à própria natureza dos monitores CRT, não é possível eliminar o flicker completamente, mas é possível reduzi-lo a níveis toleráveis usando taxas de atualização de 75 Hz ou mais. Reduzir o brilho do monitor também ajuda, pois a luminosidade mais baixa faz com que as células de fósforo demorem mais tempo para perderem o brilho (já que a intensidade é menor).


 A taxa máxima de atualização suportada pelo monitor varia de acordo com a resolução. No monitor, a imagem é atualizada linha a linha, de cima para baixo. Temos então a frequência horizontal, uma das especificações mais importantes em um monitor CRT, que indica a quantidade "bruta" de linhas que o monitor pode atualizar por segundo.

O LG 710E, por exemplo, é um monitor de 17" que trabalha com uma frequência horizontal de 71 kHz (71 mil linhas por segundo). Em teoria, isso permitiria que ele trabalhasse com refresh de até 69 Hz ao utilizar resolução de 1280x1024 (onde temos 1024 linhas horizontais) ou até 92 Hz ao usar 1024x768.

Na prática, entretanto, os valores são mais baixos devido ao tempo perdido pelo monitor ao final de cada atualização da tela (retraço vertical), quando precisa reposicionar o canhão de elétrons no topo da tela para iniciar a atualização seguinte. Isso faz com que, no final, o monitor seja capaz de trabalhar com resolução de 1024x768 a 85 Hz ou 1280x1024 a 60 Hz (essa última pouco recomendável por causa do flicker).

Monitores LCD

Em seguida temos os monitores LCD que, embora tenham ficado restritos a nichos durante as décadas de 80 e 90, eventualmente ganharam a guerra, substituindo os CRT quase que completamente. Hoje em dia, não apenas é quase impossível encontrar um monitor CRT à venda, mas é cada vez mais raro ver alguém usando um, já que além de todo o apelo estético, apenas a redução no consumo de energia do PC acaba compensando o preço do LCD ao longo da vida útil.


 Uma tela de LCD é uma espécie de chip. A técnica de fabricação de um processador e de uma tela de LCD são similares, a principal diferença é que o processador é feito sobre um wafer de silício, enquanto que uma tela de LCD é feita sobre uma placa de vidro, utilizando camadas de silício amorfo depositadas sobre ela.

Em uma tela de matiz ativa, temos um transistor para cada ponto da tela (cada pixel é formado por três pontos) e um pequeno sulco, onde é depositado o cristal líquido. Os cristais líquidos são substâncias que tem sua estrutura molecular alterada quando recebem corrente elétrica. Em seu estado normal, o cristal líquido é transparente, mas ao receber uma carga elétrica torna-se opaco, impedindo a passagem da luz. A função de cada transistor é controlar o estado do ponto correspondente, aplicando a tensão correta para cada tonalidade:


 Os LCDs mais simples, como os usados em relógios e palmtops com tela monocromática, utilizam uma camada refletora, instalada na parte traseira, que simplesmente reflete a luz ambiente. Existem casos de LCDs coloridos que utilizam o mesmo princípio (como o usado no antigo Game Boy Advance). Essas telas são chamadas de transflexivas e apresentam como problema fundamental o fato de só poderem ser usadas em ambientes bem iluminados e contra a luz.

Os LCDs usados em PCs e notebooks são transmissivos, ou seja, a tela utiliza um sistema de iluminação que permite que seja usada em qualquer ambiente. A desvantagem é o fato da tela ser mais complexa e o sistema de iluminação torná-la mais propensa a falhas (muitas telas são descartadas por defeito nas lâmpadas de catodo frio ou no inversor, muito embora o LCD continue intacto), além de consumir mais energia. Entretanto, este é um caso em que os ganhos compensam as perdas, já que ninguém iria querer um notebook que só pudesse ser usado contra a luz.

Temos aqui uma tela de LCD desmontada. Veja que ela é apenas parcialmente transparente. É graças à iluminação que você pode ver a imagem claramente:


 Existem duas tecnologias de iluminação de telas LCD. A mais comum consiste no uso de lâmpadas de catodo frio, um tipo de lâmpada florescente, ultra compacta e de baixo consumo. Entretanto, um número cada vez maior de portáteis estão adotando o uso de LEDs para o sistema de iluminação, o que permite produzir telas mais finas, econômicas e duráveis.

Além do baixo consumo elétrico, outra vantagem do uso de LEDs é que a iluminação da tela é mais uniforme do que nos monitores de LCD com lâmpadas de catodo frio, pois os LEDs são distribuídos de forma relativamente uniforme, em contraste com a lâmpada de catodo frio, que fica em uma das extremidades da tela. Existe também um pequeno ganho na nitidez das cores, pois os LEDs usados emitem luz quase que perfeitamente branca, ao contrário das lâmpadas de catodo frio, que tendem ao azul. Como de praxe, eles são uma tecnologia mais cara, mas a diferença de preço tem caído rapidamente.

Entrando nas comparações diretas, uma das principais vantagens dos monitores LCD é a questão da geometria. Nos monitores CRT a imagem é criada por um conjunto de três feixes de elétrons, que são movidos usando eletroímãs. Isso os torna bastante sensíveis a interferência eletromagnética, já que qualquer fonte significativa interfere com o posicionamento dos feixes, distorcendo a imagem em maior ou menor grau.

Você pode distorcer a imagem da tela colocando caixas de som muito próximas ao monitor (sobretudo caixas de som não blindadas) ou qualquer outra fonte significativa de interferência. Experimente, por exemplo, colocar um telefone celular (durante uma conversação) bem ao lado do monitor. Ele vai produzir um colapso temporário na imagem :). Os LCDs, por outro lado, são praticamente imunes a qualquer tipo de interferência do ambiente.

Outra questão é que nos CRTs o posicionamento dos pixels na tela nunca é perfeito, pois o feixe de elétrons nunca atinge precisamente as células de fósforo referentes a cada pixel. Nos LCDs, por outro lado, cada pixel corresponde exatamente a um conjunto de três pontos, de forma que a geometria é sempre perfeita.

A desvantagem é que o LCD só oferece uma boa qualidade de imagem quando trabalha em sua resolução nativa. Você pode usar resoluções mais baixas (800x600 em um LCD de 15", ou 1024x768 em um de 19", que trabalham nativamente a, respectivamente, 1024x768 e 1280x1024, por exemplo), mas a qualidade da imagem é prejudicada, já que o sistema precisa interpolar a imagem via software, usando mais de um pixel da tela para exibir cada ponto da imagem. Os CRTs, por outro lado, podem trabalhar com diversas resoluções diferentes, sem perdas perceptíveis.

Tradicionalmente, os LCDs são inferiores aos CRTs com relação à fidelidade de cores e principalmente com relação ao contraste, já que um monitor LCD trabalha bloqueando a luz branca gerada pelas lâmpadas de catodo frio usadas na iluminação, enquanto os CRTs trabalham produzindo luz diretamente. Este é, entretanto, um quesito onde os monitores LCD evoluíram muito. Embora os monitores mais baratos continuem oferecendo uma imagem lavada, que não atende bem ao público profissional, já existem modelos com uma qualidade de imagem muito similar à dos melhores monitores CRT.

Finalmente, temos a questão da área útil da tela. Se você colocar um CRT e um LCD de 17 polegadas lado a lado, você vai notar que a área útil no LCD é muito maior. Isso acontece porque a tela de um LCD de 17" tem realmente 17 polegadas de medida diagonal, enquanto no CRT pouco mais de uma polegada da tela é de área não-útil, que corresponde às bordas da tela, cobertas pela carcaça plástica.

Devido a isso, um CRT de 17" tem cerca de 16 polegadas de área visível (você encontra a medida exata nas especificações do monitor). Muitos tem como hábito ajustar a imagem de forma a não utilizar as extremidades da tela (onde a distorção causada pela angulação é maior), o que corresponde a mais uma pequena perda. Somando as duas coisas, chegamos a casos em que temos menos de 15 polegadas de área realmente utilizada em um monitor CRT de 17".

Plasma e OLED

 Em seguida temos as telas de Plasma, que trabalham sob um princípio bem diferente, onde pequenos volumes de gás neon e xenônio são depositados em minúsculas câmaras seladas, entre duas placas de vidro. Cada câmara contém dois eletrodos (um deles protegido por uma camada isolante) e também por uma camada de fósforo (similar ao fósforo usado nos monitores CRT). Quando uma certa tensão é aplicada, o gás é ionizado e se transforma em plasma, passando a emitir luz ultra-violeta que, por sua vez, ativa a camada de fósforo, fazendo com que ela passe a emitir luz. Cada pixel é composto por três câmaras individuais, cada uma utilizando uma camada de fósforo de uma das três cores primárias.

As telas de plasma oferecem uma luminosidade muito boa e um bom nível de contraste. O maior problema é que as células contendo gás são relativamente grandes, por isso não é possível produzir monitores com uma densidade muito alta. Este é o principal motivo das telas de plasma serem sempre muito grandes (geralmente de 40 polegadas ou mais) e possuírem uma resolução relativamente baixa, se considerado o tamanho.

Outro grande problema é a grande sensibilidade das células ao burn-in, ou seja, à queima por exibição prolongada de uma imagem estática. Se você esquecer a proteção de tela desativada, a tela pode ficar permanentemente marcada depois de poucas horas exibindo o desktop.

Exemplo extremo de burn-in em uma tela de plasma em uma estação de trem

 Essa combinação de fatores faz com que as telas de plasma sejam mais adequadas a TVs do que a monitores destinados a micros desktop, embora a presença de conectores HDMI, DVI ou VGA permitam que elas sejam usadas como telas de apresentação ou mesmo como monitores.

Finalmente, temos as telas baseadas na tecnologia OLED (Organic Light-Emitting Diode), que são baseadas no uso de polímeros contendo substâncias orgânicas que brilham ao receber um impulso elétrico. Cada ponto da tela é composto de uma pequena quantidade do material, que depois de receber os filamentos e outros componentes necessários, se comporta como um pequeno LED, emitindo luz.

A principal diferença entre os OLEDs e os LEDs convencionais é que os OLEDs são compostos líquidos, que podem ser "impressos" sobre diversos tipos de superfície, enquanto os LEDs convencionais são dispositivos eletrônicos, que precisam ser construídos e encapsulados individualmente.

O princípio de funcionamento das telas OLED é exatamente o oposto das de LCD, já que enquanto no OLED os pontos da tela emitem luz ao receberem uma carga elétrica, no LCD os pontos obstruem a passagem da luz emitida pelo sistema de iluminação. A principal vantagem do OLED é que as telas tendem a ser mais compactas e econômicas, já que não precisam de iluminação adicional.

A grande dificuldade em desenvolver telas OLED para uso comercial foi o desenvolvimento de compostos duráveis, já que compostos orgânicos tendem a se degradarem com o tempo. As primeiras telas possuíam vida útil de 2.000 horas ou menos, mas as atuais já possuem uma vida útil média de 5.000 horas ou mais.

A primeira aplicação em larga escala para as telas OLED foi o uso em celulares, players de áudio e outros dispositivos compactos. O principal motivo é que a tela nesses dispositivos é usada por curtos períodos de tempo, o que faz com que a questão da durabilidade não seja um quesito tão importante quanto em um monitor ou em uma tela de notebook.

Na maioria dos casos, a tela OLED é instalada no meio de duas placas de vidro, lembrando o design de uma tela de LCD. Apesar disso, não é usado o tradicional backlight: toda a luz é emitida diretamente pela tela, o que simplifica o design. As vantagens são o menor consumo elétrico (o que ajuda na autonomia das baterias) e o melhor ângulo de visão (a tela pode realmente ser vista de qualquer ângulo, sem distorção das cores).

Fabricantes como a Samsung e a Sony têm apresentado protótipos de TVs e monitores OLED desde 2005. A partir do final de 2007, começaram a surgir os primeiros modelos produzidos em escala comercial, como a Sony XEL-1 (uma TV com tela de apenas 3 mm de espessura vendida por US$ 2500 nos EUA) e o OQO Model 02+ (um UMPC com uma tela OLED de 5 polegadas, lançado em 2009):


 22f0d36d

O "Santo Graal" para os fabricantes de monitores seria o desenvolvimento de telas flexíveis, onde os pixels, formados por OLEDs, juntamente com os transistores e filamentos necessários, possam ser "impressos" diretamente sobre uma superfície plástica, utilizando impressoras de jato de tinta modificadas. Isso permitiria o desenvolvimento de telas baratas, que poderiam ser enroladas e usadas em todo tipo de dispositivos. Naturalmente, ainda estamos longe disso, mas nunca dá para adivinhar o que o futuro reserva.

Fonte: You are not allowed to view links. Register or Login
You are not allowed to view links. Register or Login

XTechPT - Fórum de Informática e Novas Tecnologias com Vertente Generalista

Monitores
« em: Agosto 10, 2010, 09:39:42 »

Offline HilarYo

  • Member
  • *
  • Mensagens: 66
  • Sexo: Masculino
    • PortugalFlash
    • Email
Monitores 1 (Continuação)
« Responder #1 em: Agosto 10, 2010, 09:41:52 »
Características dos monitores LCD

 Hoje em dia, todos os monitores de LCD são de matiz ativa (TFT), mas houve um tempo que quase todos os notebooks utilizavam telas de matiz passiva. A diferença fundamental entre as duas tecnologias é que um LCD de matiz ativa possui um conjunto de três transistores para cada pixel (um para cada uma das três cores primárias), enquanto os monitores de matiz passiva utilizam apenas um par de transistores para cada linha e para cada coluna (um de cada lado da tela).

Uma tela de matiz ativa com resolução de 1024x768 possui nada menos do que 2.359.296 transistores, enquanto uma tela de matiz passiva com a mesma resolução possui apenas 3584 (2048 transistores para as linhas verticais e mais 1536 para as linhas horizontais). Esse arranjo simples fazia com que os monitores de matiz passiva fossem mais baratos e consumissem um pouco menos de energia, mas em compensação a qualidade da imagem era muito ruim, pois não era possível controlar a cor de diferentes pixels dentro da mesma linha (ou coluna) de forma muito precisa, o que tornava a imagem borrada e com baixa definição de cor. A atualização também era muito lenta (até 200 ms em muitos monitores antigos), o que tornava inviável usar a tela para jogar ou assistir vídeos.

Conforme as técnicas de produção evoluíram, a diferença de preço entre as telas de matiz passiva e as de matiz ativa foi caindo, até o ponto em que as telas de matiz passiva foram substituídas quase que completamente. Atualmente, telas de LCD de matiz passiva são usadas apenas em alguns celulares, players de áudio e pequenos dispositivos em geral e, mesmo neste último nicho, elas vem perdendo espaço para as telas de matiz ativa e telas OLED.

Entre os monitores de matiz passiva, eram comuns o uso das tecnologias CSTN (Super-Twist Nematic), DSTN (Double-layer Super-Twist Nematic) e HPA (High-Performance Addressing), esta última a mais avançada das três. Nas telas de matiz ativa predomina a tecnologia TFT (Thin-Film Transistor), a ponto de as telas de matiz ativa serem genericamente chamadas de "telas TFT".

Na verdade, o TFT nada mais é do que a técnica de fabricação utilizada para construir os transistores sobre o substrato de vidro do monitor. Através de um processo de deposição, é criada uma fina camada de silício amorfo sobre o substrato de vidro. Esta camada de silício não é muito transparente, por isso é usado um processo de litografia para criar a estrutura do transístor e um banho químico para remover o excesso, deixando apenas as partes ocupadas pelo transístor.

Assim como no caso dos processadores, o processo é repetido várias vezes (pelo menos 5), utilizando máscaras de litografia diferentes, de forma a criar as diversas camadas que formam os transistores.

Estes dois diagramas (cortesia da AU Optronics) mostram o processo de litografia aplicado sobre uma das camadas de silício amorfo e um transístor pronto, depois de passar sucessivamente por várias repetições do processo de deposição da camada de silício, litografia e banho químico:


 Uma das características mais enfatizadas nos monitores de LCD é o tempo de resposta, que indica o tempo necessário para que os pixels da tela mudem de cor e a tela seja atualizada. Em monitores de matiz ativa antigos, o tempo de resposta era normalmente de 40 ms ou mais, o que corresponde a menos de 25 atualizações por segundo. Eles eram aceitáveis para uso em aplicativos de escritório, mas ao assistir filmes ou jogar você percebia os fantasmas causados pela demora na atualização da tela. Muitos monitores atuais, entretanto, trabalham com tempos de resposta de 4 ms ou menos, o que elimina o problema. Para ter uma ideia, em um monitor de CRT que utiliza refresh de 75 Hz, a imagem é atualizada "apenas" a cada 13.33 ms.

O tempo de resposta divulgado pelos fabricantes leva em conta o tempo necessário para um pixel mudar do preto para o branco e para o preto novamente (mais precisamente, de 90% de obstrução de luz, para 10% e depois para 90% novamente). Entretanto, as transições entre diferentes tonalidades de cor (cinza 40% para cinza 50%, por exemplo) demoram mais tempo, pois a variação na tensão aplicada é muito pequena, o que faz com que a célula demore mais para responder. É por isso que a maioria dos monitores LCD ainda não são capazes de superar os antigos monitores CRT em tempo de resposta, muito embora estejam cada vez mais próximos.

Uma das técnicas utilizadas nos monitores atuais para reduzir o problema é o "Response Time Compensation" (também chamado de "Overdrive") que consiste em utilizar uma tensão maior do que a necessária para ativar a mudança de estado das células de cristal líquido. A tensão mais alta é aplicada durante um curto espaço de tempo, forçando a célula a iniciar rapidamente a mudança de estado e em seguida rapidamente reduzida, de forma que a mudança pare exatamente na tonalidade desejada.

Nas versões mais atuais da tecnologia o mesmo princípio é aplicado também na hora de reduzir a tensão das células, de forma que o pixel permita a passagem da luz. A tensão é reduzida subitamente e em seguida nivelada no nível referente ao tom desejado.

Em seguida temos a questão do ângulo de visão, um quesito em que os monitores LCD vem melhorando bastante.

Monitores de matiz passiva antigos possuíam um ângulo de visão muito restrito, onde você percebia alterações nas cores ao olhar a tela a partir de um ângulo de apenas 50 ou 60 graus. Em 1995 surgiu a tecnologia IPS (In-Plane Switching), desenvolvida pela Hitachi, que permite alinhar horizontalmente as moléculas de cristal líquido dentro de cada célula, de forma a permitir um maior ângulo de visão na horizontal. Mais tarde, a Fujitsu desenvolveu a tecnologia MVA (Multi-Domain Vertical Alignment), que funciona de forma ligeiramente diferente, mas tem o mesmo efeito. Ambas as tecnologias são atualmente licenciadas para outros fabricantes, que por sua vez desenvolvem melhorias diversas.

Atualmente, muitos fabricantes prometem ângulos de visão de 170, ou até mesmo 180 graus (180 graus é o máximo possível para qualquer tipo de tela plana, já que a partir daí você passa a ver a lateral e o fundo do monitor e não a tela propriamente dita), mas as especificações não contam a história completa.

O primeiro truque é que o ângulo de visão especificado é calculado com base em um contraste de 10:1 (ou mesmo 5:1, de acordo com o fabricante), um contraste muito baixo, considerando que qualquer monitor LCD atual trabalha com um contraste de 400:1 ou mais. Ou seja, ao olhar a tela no ângulo prometido, você vê a imagem, mas já com uma perda significativa de nitidez.

O segundo é que o ângulo de visão é tão bom apenas na horizontal. Ao olhar o monitor em um ângulo vertical, a imagem perde definição muito mais rápido. Um dos efeitos colaterais de alinhar as moléculas do cristal líquido na horizontal, é justamente uma redução no ângulo de visão vertical. Isso explica porque telas que precisam ser visualizáveis a partir de qualquer ângulo (como as usadas nos tablets) normalmente possuem ângulos de visão mais restritos, mas em compensação válidos tanto na horizontal quanto na vertical.

Resoluções: Com a popularização dos monitores widescreen, passamos a ter algumas opções adicionais de resolução além dos tradicionais 800x600, 1024x768 e 1280x1024. Os notebooks da série Vaio TX, por exemplo, usam telas wide de 11.1" com resolução de 1368x768, um "super-wide" que acaba sendo um formato bom para assistir DVDs, pois faz com que o filme ocupe toda a área útil da tela, embora não seja tão confortável para ler textos e rodar aplicativos de escritório.

A resolução é geralmente proporcional ao tamanho da tela. O grande problema em produzir telas pequenas com suporte a altas resoluções não é tanto técnico, mas sim mercadológico. Resoluções muito altas tornam o conteúdo da tela menos legível, o que afasta compradores em potencial. O próprio Vaio TX, por exemplo, possui uma tecla de atalho com uma função de "zoom", que permite reduzir a resolução da tela para 1064x600. Por não ser a resolução nativa do LCD, a qualidade da imagem fica longe do ideal, mas mesmo assim muitos usuários realmente utilizam o recurso em muitas situações.

As resoluções mais usadas são:

QVGA: 320x240 (usada em palmtops)
VGA: 640x480
SVGA: 800x600
XGA: 1024x768
WXGA: 1280x800
WXGA+: 1440x900
   

SXGA: 1280x1024
SXGA+: 1400x1050
UXGA: 1600x1200
WSXGA: 1680x1050
WUXGA: 1920x1200
WQXGA: 2560x1600

 Existem ainda dois padrões WXGA "alternativos", com resolução de 1280x768 e 1368x768 inventados pela Sony e usados em alguns de seus notebooks. Outra variante que está se tornando popular é o XGA de 800x480, comum em tablets e UMPCs.

Existe ainda a questão do tipo de acabamento usado na tela: fosco ou glossy. Tradicionalmente, as telas de LCD utilizam um acabamento não-reflexivo, fosco, que torna o uso da tela mais confortável em ambientes muito iluminados, ou sob luz solar, mas em troca prejudica um pouco o contraste e a fidelidade das cores. As telas com acabamento glossy, por sua vez, utilizam um acabamento reflexivo, que torna as cores mais vivas e melhora o contraste da tela, mas é, em compensação, mais frágil (tornando riscos e arranhões uma ocorrência comum) e faz com que a tela se comporte como um espelho, refletindo muito mais a luz do ambiente. O acabamento glossy recebe diferentes nomes de acordo com o fabricante. A Acer, por exemplo, chama o revestimento de "CrystalBrite", enquanto a Sony chama de "XBrite".

Reflexão em uma tela XBrite: quase um espelho

 As telas com acabamento glossy tornaram-se norma nos notebooks com tela wide, destinados ao público geral, mas as telas foscas ainda sobrevivem em notebooks destinados ao público "business", como muitos modelos da Dell, Lenovo e HP.

Finalmente, temos a questão dos dead pixels e stuck pixels, também bastante enfatizada. Embora uma tela TFT possua um número muito menor de transistores do que um processador, a fabricação é igualmente difícil, pois o silício amorfo utilizado na tela possui uma qualidade muito inferior ao wafer de silício usado na fabricação do processador.

Defeitos de fabricação nos transistores das telas de LCD são uma ocorrência relativamente comum. Eles não inutilizam a tela, mas causam o aparecimento de pontos defeituosos, onde um dos transistores (responsável por uma das três cores primárias) não funciona corretamente, ficando sempre ativo ou sempre inativo. Com apenas duas das cores primárias ativas, ou uma delas permanentemente acesa, o pixel passa a exibir cores diferentes das dos demais, ficando vermelho enquanto os demais estão pretos, por exemplo. Veja um exemplo:

Stuck pixel próximo ao canto da tela

 Nesta foto usei um fundo preto na tela para destacar o pixel defeituoso, que fica vermelho enquanto os outros estão pretos. O que acontece nesse caso é que o transistor responsável pela cor vermelha dentro do pixel não funciona, de forma que o ponto fica sempre aberto à passagem de luz.

Para que o pixel exiba a cor preta, os três transistores devem mandar energia para as moléculas de cristal líquido, de forma que elas impeçam a passagem da luz. Se um dos três transistores fica sempre desligado, a cor primária referente a ele fica sempre ativa. Se o defeito for no transístor responsável pela cor vermelha, então o pixel acabará ficando sempre vermelho sob um fundo preto.

Se o contrário ocorrer, e o transistor ficar sempre ligado (fazendo com que o cristal líquido impeça a passagem de luz) então o pixel exibirá uma cor alterada sob um fundo branco, mas se comportará de forma normal sob um fundo preto.

Pixels que ficam permanentemente apagados são chamados de "dead pixels", enquanto os que ficam permanentemente acesos, exibindo um ponto vermelho, verde ou azul sob um fundo escuro são chamados de "stuck pixels" (pixels emperrados).

A existência de apenas um ou dois dead pixels ou stuck pixels no monitor pode ser bastante desagradável, já que uma vez que você percebe o pixel defeituoso, tende a prestar cada vez mais atenção e a ficar cada vez mais incomodado com ele.

Normalmente, as políticas de troca dos fabricantes prevêem a troca da tela apenas quando um certo número de dead pixels é excedido, ou em casos onde eles estão próximos do centro da tela, por isso é sempre melhor verificar a existência de pixels defeituosos antes de comprar o monitor ou o notebook. Um programa que ajuda nesse caso é o Dead Pixel Buddy, disponível no You are not allowed to view links. Register or Login

Com o avanço das técnicas de fabricação, os dead pixels estão se tornando uma ocorrência cada vez mais rara, mas eles ainda são encontrados em muitos monitores novos, sobretudo de marcas mais baratas, que muitas vezes são usadas como "segunda linha", vendendo telas que não passaram pelo controle de qualidade de algum fabricante maior.

Limpando telas de LCD

 Houve um tempo em que os monitores utilizavam tubos de vidro, sem nenhuma cobertura especial. A tela de vidro podia ser limpa usando praticamente qualquer coisa, já que era mais fácil danificar o plástico da carcaça do que a tela em si.

Com o passar o tempo, os monitores passaram a usar camadas anti-reflexivas, seguidas pelos monitores de LCD e mais recentemente os monitores de LCD com acabamento glossy, que são ainda mais sensíveis. Isso deu origem a intermináveis discussões sobre o que usar para limpar telas de LCD.

Existem algumas dicas gerais, como não usar produtos que contêm amônia ou acetona, já que eles podem danificar a superfície da tela. Até pouco tempo, uma mistura de álcool isopropílico e água (9 partes de água para cada parte de álcool) costumava ser recomendada, mas muitos fabricantes passaram a incluir avisos sobre o uso de álcool em telas com acabamento glossy. Em uma concentração de 10/1, o álcool dificilmente seria perigoso para qualquer tipo de tela, mas muitos preferem não arriscar.

Existe naturalmente, a velha solução H2O, que é abundante e inofensiva. O maior problema é que água não dissolve gordura, o que a torna adequada para as limpezas ocasionais, mas não para casos mais extremos.

Eu costumo limpar telas usando spray limpa lentes, do tipo usado para limpar lentes de óculos. O tratamento anti-reflexivo das lentes é similar ao tratamento usado em telas de LCD, de forma que o que é seguro para as lentes acaba sendo seguro também para as telas. Outra opção muito usada é usar soluções limpa vidro sem amônia, mas elas devem ser usadas com um pouco mais de cautela, já que são elaboradas para limpar vidros e não telas de LCD, que são um pouco mais sensíveis.

Com relação ao pano, o ideal é usar um pedaço de tecido de microfibra, que além de bastante macios, eles não soltam fiapos. Na falta de um, a segunda opção seria um tecido de algodão ou lenços de papel. Toalhas de papel não funcionam muito bem e em muitos casos podem conter partículas capazes de riscar a tela.

Fonte:You are not allowed to view links. Register or Login
You are not allowed to view links. Register or Login

Offline HilarYo

  • Member
  • *
  • Mensagens: 66
  • Sexo: Masculino
    • PortugalFlash
    • Email
Monitores 2
« Responder #2 em: Agosto 10, 2010, 09:56:37 »
 Em 1987 a IBM lançou o padrão de vídeo VGA, que permitia o uso de 640x480 com 256 cores. Com o passar dos anos, surgiram os padrões SVGA (800x600), XGA (1024x768), SXGA (1280x1024) e assim por diante, usados pelos monitores atuais. Apesar disso, o mesmo conector VGA analógico (Mini D-Sub) de 15 pinos continua sendo utilizado até hoje.

O grande problema é que os monitores CRT foram eventualmente substituídos pelos monitores LCD, que são digitais por natureza. Para manter compatibilidade com as placas antigas, eles (monitores) incluem conversores analógico/digital, que além de encarecerem os aparelhos, reduzem a qualidade da imagem.

Para resolver o problema, foi criado o padrão DVI (Digital Visual Interface), que permite que o sinal seja transmitido de forma digital da placa de vídeo até o monitor, eliminando a necessidade de fazer a conversão digital > analógico > digital, que causa degradação da imagem.

Existem diversos sub-padrões dentro do DVI. A maioria das placas utilizam conectores DVI-I, que mantêm a compatibilidade com os monitores antigos, oferecendo simultaneamente o sinal digital e o analógico. Isso permite que você conecte um monitor analógico em uma placa de vídeo com saída DVI-I utilizando um adaptador simples:


O conector DVI utiliza 29 pinos. Destes, os pinos 8, C1, C2, C3, C4 e C5 são usados para transmitir o sinal analógico usado pelos monitores antigos, enquanto os demais transmitem o sinal digital, como você pode ver no diagrama:


 A maioria das placas de baixo custo ainda oferecem um conector DVI e um VGA. Entretanto, um número cada vez maior de placas passam a vir com dois conectores DVI, ou dois DVI e um HDMI, tornando necessário o uso do adaptador para conectar monitores com saída VGA. É bom ter sempre um ou dois deles à mão, já que as saídas VGA estão se tornando cada vez mais raras em placas de vídeo novas, mas os monitores ainda continuarão sendo usados por muito tempo.

Outra situação em que você vai precisar de adaptadores é ao usar dois monitores, utilizando o TwinView. O principal motivo de tantas placas oferecerem dois conectores DVI e nenhum VGA é que você pode utilizar os adaptadores para conectar monitores VGA nas saídas DVI, mas não existem adaptadores para ligar um monitor DVI em uma saída VGA.

O TwinView é suportado também no Linux através dos drivers binários da nVidia. Basta executar (como root) o comando "nvidia-xconfig --twinview" para que ele detecte os monitores e gere a configuração e em seguida ajustar as opções desejadas através do nvidia-settings:


As variações do DVI


Uma observação importante sobre os adaptadores é que existem no mercado alguns adaptadores DVI-D (veja a seguir), que possuem o mesmo formato, mas não usam os 4 pinos. Naturalmente, eles não funcionam, já que eliminam precisamente os pinos usados pelo sinal analógico.

Aparentemente, algum fabricante chinês percebeu que existia demanda por um conector que permitisse ligar monitores VGA em placas com conectores DVI-I e resolveu começar a produzi-lo em massa, ignorando o fato de que ele simplesmente não funciona. Ao comprar adaptadores baratos, cheque sempre a presença dos 4 pinos para não levar gato por lebre:

O famigerado adaptador DVI-D (à esquerda) e um adaptador DVI-I padronizado, com os 4 pinos

 Continuando, o DVI suporta o uso de conexões single-link e dual-link. Cada link de dados é formado por três canais independentes (um para cada cor), de 8 bits e 165 MHz, o que resulta em uma taxa de transmissão de 3.96 gigabits para o DVI single-link e 7.92 gigabits para o DVI dual-link. Assim como no SATA e no PCI Express, para cada 8 bits de dados, são enviados 2 bits adicionais de sincronismo (o que eleva o total bruto para 4.95 e 9.9 gigabits), o que dispensa o uso de um sinal de clock separado.

Uma conexão single-link suporta o uso de até 1600x1200 (com 60 Hz de atualização), enquanto uma conexão dual-link suporta o uso de 2048x1536 (com 75 Hz) ou 2560x1600 (com 60 Hz, que é a taxa de atualização usada pela maioria dos monitores LCD). Como estamos falando de um link digital, existe uma grande flexibilidade. É possível atingir resoluções mais altas reduzindo o refresh rate, por exemplo, mas isso não é muito comum, já que causa perda da fluidez da imagem e, de qualquer forma, ainda não existe muita demanda por monitores com resoluções acima de 2048x1536.

Os cabos single-link possuem duas colunas de pinos a menos, mas são fisicamente compatíveis com os conectores dual-link:

Conector DVI dual-link (à esquerda) e conector single-link

 Embora pareça exagero, muitos monitores de LCD de 30" já suportam o padrão WQXGA (2560x1600) nativamente, como o Apple 30IN cinema, o HP LP3065 e o Dell 3007WFP. Com a queda nos preços dos monitores LCD, estes monitores se tornarão cada vez mais comuns, atendendo a quem precisa de uma grande área de trabalho para trabalhar com edição de imagens ou CAD, ou simplesmente quer um monitor gigante para aproveitar toda a potência da GPU.

Além do DVI-I, existem também os conectores DVI-D, que carregam apenas o sinal digital, abandonando a possibilidade de usar o adaptador para conectar um monitor antigo. A única diferença visível entre os dois é que o DVI-D não possui os pinos C1, C2, C3 e C4, que são usados pelo sinal analógico:

Conector DVI-D

 As placas com conectores DVI-D ainda são relativamente raras, já que o DVDI-I combina o melhor dos dois mundos, mas o DVI-D pode virar a mesa no futuro, conforme a compatibilidade com monitores antigos for lentamente deixando de ser uma preocupação. Adotar o DVI-D permite que os fabricantes de placas de vídeo e de placas-mãe com vídeo integrado removam o conversor digital/analógico, o que reduz em alguns dólares o custo de produção.

Um exemplo é a Gigabyte GA-MA785GM (baseada no chipset AMD 785G), que oferece um conector DVI-D, complementado por uma saída VGA analógica e uma saída HDMI (que é essencial ao montar um HTPC, já que ela é a interface mais usada nas HDTVs). Ela suporta o uso de dois monitores simultâneos, mas como as saídas DVI e HDMI compartilham as mesmas trilhas da placa, você não pode usá-las simultaneamente:


É possível ainda ligar uma placa de vídeo com saída DVI a uma HDTV que utilize um conector HDMI. Tanto o DVI quanto o HDMI utilizam o mesmo padrão de sinalização, de forma que é necessário apenas comprar um cabo simples. A limitação neste caso é que a saída DVI não inclui os pinos destinados ao som, de forma que você precisa usar um cabo de áudio separado, ligado à placa de som.

Cabo DVI > HDMI

 Um termo associado ao HDMI é o HDCP (High-Bandwidth Digital Content Protection), uma tecnologia menos nobre, que se destina a "proteger" a indústria cinematográfica dos ladrões de conteúdo (consumidores), promovendo uma forma de proteger e encriptar filmes e seriados em discos Blu-ray.

O que diferencia o HDCP de sistemas anteriores de encriptação, como o CSS usado no DVD, é o fato dele ser bem mais intrusivo, demandando a combinação de um sistema operacional, um software de reprodução, uma placa de vídeo e um monitor compatíveis com o padrão, caso contrário o sinal de alta-resolução é bloqueado em conexões digitais.

Concluindo, muitas placas incluem ainda o conector S-Video, que permite usar uma TV analógica como monitor. A qualidade não é muito boa, já que a placa degrada a imagem para o sinal de 640x480 com 60 Hz (interlaçado ainda por cima) suportado pela TV, mas ainda assim o conector é utilizado por muita gente na hora de assistir filmes e jogar, já que, apesar da baixa qualidade de imagem, a TV é geralmente bem maior do que o monitor. Muitas placas incluem as três saídas, como a GeForce 6200 da foto a seguir, mas nas placas atuais o S-Video deu lugar ao HDMI.


DisplayPort

 O DisplayPort é um novo padrão de saída de vídeo que pode eventualmente substituir tanto o DVI quanto o HDMI. Ele é um padrão aberto e livre de royalties que foi ratificado em 2006 pela VESA (o padrão 1.0) e foi atualizado em 2008 (versão 1.1a), dando origem ao padrão atual.

À primeira vista, a utilidade do DisplayPort parece questionável, já que já temos dois padrões digitais concorrentes (DVI e HDMI) e um terceiro padrão de legado (o velho VGA) que se recusa a dar o braço a torcer e continua sendo encontrado em novos monitores e placas de vídeo ano após ano. Entretanto, o DisplayPort oferece algumas vantagens estratégicas que podem fazer com que ele se sobressaia a longo prazo. A diferença mais visível é que o conector é muito menor e dispensa o uso de parafusos de retenção (como no DVI), oferecendo um sistema de presilhas que é destravado por um botão:

 

 Com relação aos aspectos técnicos, o DisplayPort oferece mais banda que o DVI, suportando a transmissão de até 8.64 gigabits (2.16 gigabits por par, com o uso de até 4 pares), o que permite o uso de resoluções de até 2560x1600 (com 60 Hz) e refresh-rates mais altos, de até 120 Hz, em resoluções mais baixas. O protocolo é baseado no uso de pacotes, o que facilita a criação de padrões mais rápidos no futuro.

Assim como no caso do DVI, é usada sinalização 8b/10b para a transmissão, com a adição de 2 bits adicionais de sincronismo para cada 8 bits de dados. Com isso, a taxa bruta de transmissão (o symbol rate) é de 10.8 gigabits.

Na resolução máxima, o comprimento máximo do cabo é de 3 metros, mas está disponível também um modo degradado, que permite o uso de cabos de até 15 metros, com uma resolução máxima de 1920x1080 e 60 Hz de refresh.

Além do canal de transmissão, temos um link auxiliar de 1 megabit, que é usado para a negociação de parâmetros e gerenciamento de dispositivos. Ele permite que o monitor informe os parâmetros suportados para a placa de vídeo e que os dois negociem os melhores parâmetros de transmissão, com um sinal de maior resolução em um desktop, ou economia de energia no caso de um notebook, por exemplo. Eventualmente ele pode ser usado também por outros dispositivos (teclados e mouses, por exemplo). O conector DisplayPort oferece também uma corrente de 500 mA, que pode ser usada para alimentar dispositivos e controladores diversos ligados à porta.

Diferente do DVI, o DisplayPort suporta também a transmissão de áudio, dispensando o uso do cobo analógico conectado à placa de som no caso de um HDTV ou monitor com speakers integrados. O fluxo de áudio é nesse caso transmitido através do barramento PCI Express para o controlador de vídeo e daí até o dispositivo, percorrendo todo o caminho em formato digital, sem degradação. O DisplayPort oferece também suporte ao HDCP (juntamente com um padrão próprio de encriptação, o DPCP), o que o posiciona como um concorrente direto do HDMI em HDTVs e outros dispositivos de consumo.

Entretanto, o principal fator que vêm impulsionando a adoção do DisplayPort por parte da Intel, AMD e nVidia (em um raro exemplo de consenso entre as três concorrentes) é o fato de ele utilizar tensões baixas de sinalização, sempre abaixo de 2.0V, em oposição aos 3.6 ou 5.25V usados no DVI e HDMI. A tensão mais baixa permite que os controladores DisplayPort sejam integrados diretamente em chipsets produzidos usando técnicas de 45 nm (que possuem um limite prático de 2.5V para a tensão), eliminando a necessidade de circuitos especializados ou de controladores externos. Por outro lado, o HDMI é o padrão preferido pela Toshiba, Panasonic e outros fabricantes de eletrônicos, o que deve resultar em uma boa briga.

Por hora, todas as placas e notebooks com portas DisplayPort incluem um bridge DVI/HDMI, que permite o uso de adaptadores simples para conectar um monitor DVI ou uma HDTV HDMI à porta DisplayPort:


Ao contrário do que temos no DVI-I, que suporta a transmissão de sinal analógico, mantendo a compatibilidade com o VGA, o DisplayPort é uma interface inteiramente digital. Apesar disso, existem no mercado adaptadores que convertem a saída DisplayPort em uma saída VGA analógica. Esses adaptadores incluem um controlador DAC que faz a conversão do sinal e são por isso bem mais caros que os adaptadores DVI/HDMI simples. O controlador DAC é alimentado pela corrente de 500 mA oferecida pela porta, o que dispensa o uso de uma fonte externa:


 Continuando, o padrão DisplayPort 1.1a prevê também o uso de cabos de fibra óptica para permitir a criação de cabos mais longos, mas a possibilidade de uso prático é pequena, já que a adoção encareceria demais os produtos. Por hora, os cabos de cobre oferecem uma qualidade mais do que satisfatória.

O padrão seguinte (o 1.2), oferece taxas de transmissão de até 17.28 gigabits (o dobro do padrão original) que podem ser usados para transmitir múltiplos fluxos simultaneamente. Ele inclui também o suporte a monitores 3D, onde são usados dois canais separados para transmitir os dois frames que são exibidos alternadamente.

Ele inclui também o Mini DisplayPort, um conector miniaturizado (originalmente introduzido pela Apple) para uso em notebooks e netbooks, substituindo o surrado conector VGA analógico na conexão de monitores externos. Ele é bem compacto, com pouco mais da metade do tamanho de um conector USB:


Uma das possibilidades mais interessantes é o uso de múltiplos links DisplayPort para a conexão de vários monitores simultaneamente, uma possibilidade que pode eliminar a velha limitação dos notebooks com relação ao uso de apenas um monitor externo. No caso das placas da AMD, o suporte existe a partir das placas da série 5xxx, com o Eyefinity.

Fonte: You are not allowed to view links. Register or Login
« Última modificação: Agosto 10, 2010, 09:58:10 por HilarYo »
You are not allowed to view links. Register or Login

Offline HilarYo

  • Member
  • *
  • Mensagens: 66
  • Sexo: Masculino
    • PortugalFlash
    • Email
Monitores 2 (Continuação)
« Responder #3 em: Agosto 10, 2010, 09:56:59 »
Monitores USB

 Existem dois tipos de "monitores USB". Os primeiros são os bem conhecidos monitores com hubs USB embutidos, onde temos um monitor LCD normal, que incorpora um hub USB, geralmente passivo. O hub USB neste caso é apenas um acessório, incorporado ao monitor como uma forma de diferenciar o produto.

O segundo tipo são os monitores USB "reais", onde a porta USB é usada como uma opção adicional de interface para a transmissão da imagem, substituindo o conector da porta DVI ou VGA. Neste caso, um chip decodificador, incluído no próprio monitor, faz o papel de placa de vídeo, recebendo as informações referentes à imagem e exibindo-as na tela. O primeiro monitor baseado na nova tecnologia foi o Samsung 940UX, lançado em 2007:

Samsung 940UX

À primeira vista, ele parece um monitor LCD de 19" tradicional. Além do conector USB tipo B, ele inclui as tradicionais entradas DVI e VGA, além de possuir um hub USB embutido, com duas portas. Alguém que não soubesse do que se trata, poderia muito bem achar que ele é um monitor LCD com um hub USB embutido e usá-lo durante anos sem saber de sua verdadeira identidade.

Conectores traseiros do 940UX (USB, DVI e VGA)

 Apesar de apenas duas portas estarem disponíveis, o hub USB incluído no monitor possui na verdade 4 portas. Uma delas é ligada ao chip decodificador e outra é ligada a um chip de memória Flash, que contém o driver do monitor.

Ao plugar o monitor na porta USB, o chip de memória Flash é detectado como uma unidade de armazenamento removível, como se fosse um pendrive. Dentro dele você encontra o executável com o driver do monitor (disponível apenas em versão Windows). Só depois de instalar o driver, o sistema passa a reconhecer o monitor e você pode começar a usá-lo.

Como o funcionamento do monitor depende do trabalho do driver, ele só funciona dentro das versões suportadas do Windows, de forma que você não pode usá-lo para visualizar as informações do setup ou qualquer aviso exibido durante o carregamento do sistema. Ele também não funciona no Linux, ou qualquer versão do Windows anterior ao XP (por falta de drivers), de forma que é muito inconveniente usa-lo como monitor primário. Outro problema é que o decodificador incluído no monitor não oferece suporte 3D (nem mesmo um 3D rudimentar, como o encontrado nas placas onboard), de forma que você também não pode utilizá-lo na grande maioria dos jogos.

A ideia principal por trás do 940UX é que ele seja usado como monitor secundário. Ou seja, a conexão através da porta USB não foi desenvolvida para que você utilizasse o monitor como display primário, mas sim para facilitar sua instalação como segundo monitor. Mesmo que você comprasse dois 940UX, você ligaria o primeiro na saída DVI ou VGA da placa de vídeo e apenas o segundo é que seria ligado na porta USB.

É possível ainda conectar dois ou mais monitores no mesmo micro, criando configurações com 3 ou mais monitores, como este sistema de demonstração apresentado pela Samsung:


 A tecnologia de conexão de monitores através da porta USB não é uma tecnologia proprietária da Samsung, mas sim uma solução desenvolvida por outra empresa, a DisplayLink (You are not allowed to view links. Register or Login), que também está disponível para outros fabricantes.

Tanto o USB quanto o DVI são links digitais. Não existe nada de fundamentalmente diferente entre os dois barramentos que impeça o uso de uma porta USB como interface com o monitor. Seria perfeitamente possível ligar um monitor diretamente à porta USB e fazer com que o sistema fizesse o processamento da imagem via software, dispensando assim o uso de uma placa de vídeo.

O maior problema é que as portas USB são muito mais lentas. Uma porta DVI single-link oferece um link de 4.95 gigabits, suficiente para transportar imagens a 1600x1200 (com 60 Hz de atualização), enquanto uma porta USB 2.0 oferece apenas 480 megabits, que seriam suficientes apenas para exibir imagens a 640x480 e ainda assim com baixas taxas de atualização.

Para resolver o problema, a DisplayLink desenvolveu um sistema de compressão sem perdas, que demanda relativamente pouco processamento. Um software de compressão incluído no driver do monitor se encarrega de comprimir a imagem que será enviada através da porta USB e o chip decodificador incluído no monitor faz o papel inverso, descomprimindo o sinal e gerando um sinal DVI, que é então enviado ao controlador da tela para exibição.

O maior problema é que o sistema depende do trabalho de compressão executado pelo driver, de forma que o uso do monitor através da porta USB consome um volume considerável de processamento. Podemos fazer uma analogia com os softmodems, onde todo o processamento é executado via software, taxando o processador principal.

Como era de se esperar, os monitores USB não fizeram muito sucesso, pois o aumento no custo acabava não compensando a funcionalidade adicional. Com a popularização das placas de vídeo com suporte nativo ao dual-head, não faz muito sentido pagar mais caro por um monitor USB que não vai funcionar de maneira tão transparente quanto um monitor "normal" plugado na segunda saída da placa. Mesmo nos casos em que você precisa de três ou mais monitores, acaba valendo mais a pena comprar uma placa-mãe com dois slots PCIe x16 e plugar uma segunda placa de vídeo (ganhando assim a possibilidade de usar até 4 monitores).

Por outro lado, a ideia de um monitor USB faz sentido no caso dos notebooks, onde não existe a possibilidade de instalar placas de vídeo adicionais. A demanda não foi suficiente para sustentar uma explosão na oferta de monitores USB, mas levou ao aparecimento de uma outra classe de dispositivos, as "placas de vídeo USB" (anunciadas como "USB VGA Card", "USB Graphics Card" ou "External DVI Video Card") que nada mais são do que um controlador externo, que pode ser usado em conjunto com qualquer monitor:

 

 O controlador incluído no adaptador é alimentado pela energia da própria porta USB, o que torna os adaptadores relativamente práticos. Eles continuam com as mesmas desvantagens relacionadas aos drivers e ao baixo desempenho em 3D e ao assistir vídeos, mas atendem bem ao propósito de permitir usar múltiplos monitores em notebooks, desde que você se contente em ficar limitado ao Windows.

Outra possibilidade interessante, que já está sendo explorada pelos fabricantes, é o uso de conexões de rede e também de conexões sem fio, tanto em monitores quanto em projetores, obtidas através da combinação do chip decodificador com uma interface de rede wireless também incluída no adaptador, ou diretamente no monitor.

Em um desktop, usar um monitor wireless não faz sentido, pois a degradação na velocidade de atualização da imagem e os potenciais problemas não compensam o ganho em termos de praticidade. Entretanto, esta é uma possibilidade interessante para quem tem um notebook, já que (depois de configurado) o monitor poderia ser acionado automaticamente quando você colocasse o notebook próximo a ele; sem dúvida mais prático do que ter que conectar o cabo, usar as teclas de atalho para ativar a saída de vídeo e depois ainda ter que ajustar a resolução, como hoje em dia.

A mesma tecnologia pode ser usada em projetores e gadgets diversos. Não é difícil de imaginar pequenos monitores portáteis, com tela touch-screen, que possam ser usados ao mesmo tempo como monitores secundários e como "controle-remoto" do PC.

Na verdade eles já existem há algum tempo, muito embora nunca tenham sido muito populares. Um exemplo é o Viewsonic Airsync V210, lançado em 2006. Ele é uma espécie de tablet, com uma tela de 800x600 e um processador ARM de 400 MHz. Assim como o 940UX, ele depende da instalação de um driver, que faz com que o sistema passe a detectá-lo como um segundo monitor, e também de um software de gerenciamento, responsável pelas demais funções.

Viewsonic Airsync V210

 Assim como em outros produtos-conceito, o Airsync V210 era bastante caro (nada menos que US$ 995, nos EUA, na época de lançamento) e tinha uma utilidade limitada. É provável que as próximas safras de produtos tenham preços mais competitivos, embora os monitores wireless ainda devam permanecer como produtos de nicho por muito tempo.

Atualmente, é preciso incluir praticamente um computador inteiro dentro do monitor para oferecer a possibilidade de conectá-lo através da porta USB. A solução da DisplayLink se baseia no uso de uma placa de referência batizada de "Kestrel" que inclui, além do chip decodificador, 16 MB de memória DDR, o chip de memória Flash e o controlador USB, além de um conjunto de circuitos de apoio.

Se a conexão for através de um link wireless, a coisa se complica ainda mais, já que torna-se necessário incluir também a interface de rede, o transmissor e a antena. Com tecnologia atual, é difícil colocar tudo isso dentro de um único chip, de forma que é preciso construir uma placa com vários chips separados, o que torna a solução bastante custosa. Apesar disso, o preço tende a cair conforme os fabricantes desenvolvam soluções mais integradas.

Não podemos nos esquecer que você pode usar um segundo PC ou notebook como "monitor wireless" utilizando um software de acesso remoto, como o próprio Terminal Services do Windows, VNC ou o NX Server ou usá-lo como monitor secundário usando o Synergy, soluções via software que já estão bastante maduras:

Configuração com dois monitores usando o Synergy

Usando o Synergy, o foco do mouse (e também do teclado) passa para o segundo micro quando você arrasta o ponteiro para um dos cantos da tela, similar ao que temos ao utilizar dois monitores. O conteúdo da área de transferência também é sincronizado, de forma que você pode copiar links e blocos de texto.

Fonte: You are not allowed to view links. Register or Login
« Última modificação: Agosto 10, 2010, 09:58:35 por HilarYo »
You are not allowed to view links. Register or Login

Offline tiga23

  • Techie Beyond Description
  • *
  • Mensagens: 1774
  • Sexo: Masculino
  • Rallye addicted
    • Email
Re: Monitores
« Responder #4 em: Agosto 27, 2010, 17:49:45 »
Parabens! Grande post sim senhor, no sentido de tamanho e de informaçao/conteudo! :fixe:


You are not allowed to view links. Register or Login

You are not allowed to view links. Register or Login

Offline Umbus

  • Eternal Poster
  • *
  • Mensagens: 4595
  • Sexo: Masculino
    • Email
Re: Monitores
« Responder #5 em: Agosto 28, 2010, 12:10:18 »
Por a caso grande post, mesmo muito grande :)). Bom informação tambem :P






Offline tiga23

  • Techie Beyond Description
  • *
  • Mensagens: 1774
  • Sexo: Masculino
  • Rallye addicted
    • Email
Re: Monitores
« Responder #6 em: Agosto 30, 2010, 09:24:32 »
Eu acho que estes devia ser daqueles que nao se devia apagar, nao se sabe a quem pode dar jeito ou quando dar jeito!

Parabens mais uma vez HilarYo! :fixe:


You are not allowed to view links. Register or Login

You are not allowed to view links. Register or Login

Offline Umbus

  • Eternal Poster
  • *
  • Mensagens: 4595
  • Sexo: Masculino
    • Email
Re: Monitores
« Responder #7 em: Agosto 30, 2010, 13:31:47 »
E não vai ser apagado :P. Alias, só sao apagados os que vao contra as regras do forum ;D






Offline tiga23

  • Techie Beyond Description
  • *
  • Mensagens: 1774
  • Sexo: Masculino
  • Rallye addicted
    • Email
Re: Monitores
« Responder #8 em: Agosto 30, 2010, 16:41:01 »
Assim gosto mais de ti oh Umbus xD


You are not allowed to view links. Register or Login

You are not allowed to view links. Register or Login

XTechPT - Fórum de Informática e Novas Tecnologias com Vertente Generalista

Re: Monitores
« Responder #8 em: Agosto 30, 2010, 16:41:01 »